Nesta segunda-feira (05), no Ministério da Defesa (MD), médicos civis do Hospital das Forças Armadas (HFA) e SindMédico reuniram-se para discutir a reivindicação do movimento grevista.

Ao acolher a pauta, o General Joaquim da Silva e Luna, Secretário Geral do MD, prometeu encaminhar oficialmente os dados orçamentários para Augusto Chiba, Secretário de Gestão de Pessoas e Relações do Trabalho, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).

A partir daí, as planilhas de custeio serão analisadas, com o objetivo do remanejamento de verba na tentativa de viabilizar o aumento da categoria no Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS), sem reajuste há cinco anos.

Para Dr. Guimarães, do comando de greve do HFA, o reajuste no PCCS corresponde a 20% a menos dos gastos com terceirizados. “Hoje, os salários do HFA não são atrativos. Os médicos tomam posse, mas, não ficam.”, pontualiza ele.

De fato, a reivindicação dos médicos civis está tendo boa receptividade tanto no MPOG quanto no MD, cuja resposta será dada no prazo máximo de 45 a 60 dias. “Isso é um bom sinal!”, finaliza Gutemberg Fialho, Presidente do SindMédico.

O diretor do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), José Adorno, acredita que o aprimoramento do diálogo e dos protocolos de atendimento vão mitigar os problemas e melhorar as condições de trabalho e de assistência naquela unidade de saúde. Enquanto a gestão não consegue implementar essa proposta, médicos e demais servidores e pacientes amargam uma situação que beira o insuportável.

Na noite da sexta-feira (2), o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho, recebeu médicos clínicos do HRAN, junto com gestores, para discutir os problemas e buscar soluções. Estiveram presentes o coordenador da Clínica Médica da Secretaria de Estado de Saúde (SES-DF), André Albernaz Ferreira, a diretora de Urgência e Emergência da SES, Julister Maia de Morais, a gerente de Apoio Diagnóstico e Assistência Multidisciplinar do HRAN Moema Campos, além do próprio Adorno.

A rotina dos clínicos do hospital para começar o plantão começa com concentração e exercício de respiração para buscar calma e paz interior para suportar as horas de sobrecarga de trabalho e de agressividade de pacientes descontentes. A primeira tarefa, segundo os relatos, é localizar uma cadeira para poder se sentar no consultório. Por vezes, os clínicos também têm que pedir à chefia da enfermagem para liberar a sala para poderem trabalhar e dar vazão à fila.

Quando finalmente começa o plantão

Ao assumir o plantão começa a confusão. Em relato feito por uma médica sobre um de seus plantões noturnos, havia 50 pacientes internados nas alas do pronto-socorro sem evolução e prescrição. No box de emergência, onde a capacidade é de seis pacientes, havia nove. Isso obrigava a alternar a monitorização. Dos sete intubados, dois não estavam sob efeito de sedação por falta de Midazolam. Não raro, eles passam dias e dias, como se ali funcionasse uma UTI.

Desde a segunda quinzena de agosto o box de emergência está sem telefone, o que impede o fluxo normal de ligação para a central de regulação, para familiares, para a central de captação de órgãos.

Enquanto isso, apesar dos corredores tomadas por macas e cadeiras, continua a demanda para atender quem aguarda na porta, apesar de não haver pessoal suficiente para cuidar deles e dos internados. A equipe da classificação de risco manda entrar e os pacientes cruzam os braços nas portas dos consultórios, ameaçam, seguram, não deixam nem usar o sanitário ou tomar água.

Os médicos perguntam: qual é a prioridade? Quem deve ser atendido e quem deve deixar de ser? De quem é a reponsabilidade por quem não consegue atendimento?  A orientação básica é registrar tudo o que acontece no livro de ocorrências do setor. O responsável técnico direto deve ser acionado em casos acima da capacidade resolutiva do médico.

Ações mais assertivas são necessárias

Os recursos do Programa de Descentralização Progressiva de Ações de Saúde (PDPAS) já estão sendo usados até o limite máximo para aquisição de cada material e medicamento que falta. A falta de filme para exame de Raio-X se deve a um descompasso entre a necessidade existente e a instalação do sistema de digitalização. Falta tomografia e a endoscopia não funciona porque falta glutaraldeído para desinfecção dos equipamentos.

No final de semana após a reunião, um paciente de 56 anos, portador de um tumor na parede torácica foi atingido por destroços de uma parte do forro do teto que cedeu em função de uma infiltração.

Com certeza o bom fluxo da comunicação e protocolos bem estruturados podem ajudar a melhorar a situação no HRAN. Mas enquanto a Secretaria de Saúde não voltar a pagar as gratificações cortadas dos servidores admitidos depois de 2014 e não contratar médicos e outros profissionais em número suficiente, as filas dos pacientes, dos demissionários e dos servidores adoecidos vão aumentar.

Os estudantes de medicina da Universidade de Brasília suspenderam a greve, depois de nove dias, na assembleia da noite de sexta-feira (2). Na manhã daquele dia, uma centena de se concentrou em frente ao Parque Cidade Corporate, no Setor Comercial Sul de Brasília, prédio onde fica a sede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Lá dentro, representantes do Comitê de Greve se reuniram com o presidente da Ebserh, Kleber de Melo Morais, o superintendente do Hospital Universitário de Brasília, Hervaldo Sampaio Carvalho e o diretor da Faculdade de Medicina da UnB, Paulo César de Jesus. A conversa não foi resolutiva, mas houve promessas de busca de soluções.

Segundo a coordenadora do Centro Acadêmico de Medicina da UnB, Talyta Araújo, outras faculdades da área da saúde estão se articulando e existe uma disposição de união dos cinco centros acadêmicos das faculdades de medicina do DF para discutir as lutas comuns.

A Associação de Estudantes de Medicina do Distrito Federal (AEMED-DF) divulgou nota de apoio aos estudantes e médicos residentes na luta por condições de funcionamento e ensino no HUB e reafirmou a necessidade de reabertura da discussão dos contratos organizativos de ação pública (COAPES) de todas as instituições de ensino médico e nas outras especialidades da saúde no DF. A AEMED reivindica a participação dos estudantes nas discussões sobre os COAPES.