O Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) condenou, na última segunda-feira (16), o GDF a conceder a última parcela do reajuste salarial aprovado ainda na gestão Agnelo Queiroz (PT) a um servidor aposentado. Porém, vale lembrar, esta não é a primeira vez que a gestão do Buriti é condenada a pagar terceira parcela do reajuste previsto.

Em outubro do ano passado, por decisão unânime, após a sustentação oral do advogado Luiz Felipe Buaiz, da assessoria jurídica do SindMédico-DF, a 7ª Turma do Tribunal de Justiça do DF rejeitou a apelação do GDF contra a decisão, de 2015, que garante aos servidores médicos do Distrito Federal o pagamento da terceira parcela do reajuste, a qual deveria ter sido incorporada aos salários em setembro de 2015.

A nova decisão – veiculada ontem pela imprensa local – reitera, portanto, o posicionamento do Tribunal em relação ao reajuste prometido e não cumprido pela atual gestão do GDF.

*Ambas as decisões não são definitivas e podem ser objeto de recurso.

O ar-condicionado da UTI e do centro cirúrgico do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) “pifou” na tarde desta quarta-feira (04). Sem o equipamento funcionando, pacientes de alta complexidade não podem ser atendidos na unidade. A denúncia foi enviada ao Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF).

Entre outros fatores, a falta do ar-condicionado pode comprometer a evolução do quadro clínico dos pacientes, gerar complicações e, consequentemente, aumentar o número de mortes evitáveis, situação que o SindMédico-DF denunciou à CPI da Saúde da Câmara Legislativa do DF em dezembro do ano passado.

Na UTI do Hospital de Base, foi preciso, inclusive, abrir as janelas para que o local tenha o mínimo de ventilação.

No centro cirúrgico, a exemplo do que ocorreu no Hospital do Paranoá, como denunciou o SindMédico-DF em setembro do ano passado, a falta de ar pode comprometer a saúde tanto dos pacientes quanto dos profissionais.

Vale lembrar que, no Paranoá, quando o hospital ficou sem o equipamento, integrantes da equipe médica passaram mal durante procedimentos cirúrgicos.

Nesta terça-feira (06), O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal e secretário Jurídico da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Gutemberg Fialho, participou de audiência pública da Comissão Especial do Extrateto (CTETO) do Senado Federal. Ele foi um dos integrantes da mesa de debates e destacou que acumulação constitucional de cargos não pode ser confundida com salário acima do teto.

“A nossa manifestação é com relação a quem tem o direito constitucional dos dois empregos. A Constituição prevê a acumulação e o direito de exercer dois empregos dos médicos. E isso se deu pela necessidade de ampliar a assistência a população”, disse Gutemberg Fialho. “Não defendemos a percepção de salários acima de teto remuneratório. Defendemos a previsão constitucional da percepção de percepção de salário integral por vínculo. Não podemos misturar as coisas”, completou.

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) é a relatora da comissão. Também estiveram presentes na audiência os senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG), que é vice-presidente da Comissão, Reguffe (sem partidov - DF), Magno Malta (PR-ES) e Lasier Martins (PDT-RS).

Também compuseram ainda a mesa a presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), Norma Angélica Reis Cardoso Cavalcanti; o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo dos Santos Costa; a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka; o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (FONACATE), Rudinei Marques, e a coordenadora-geral de Contencioso Judicial e Administrativo do Ministério do Planejamento, Juliana Corbacho Neves dos Santos.

Equipe de cirurgia cardiovascular do Hospital de Base do Distrito Federal fica impedida de trabalhar por falta de condições mínimas. Risco dos pacientes aumenta porque assistência fica restrita ao Instituto do Coração. A demora pode custar vidas. Veja mais na entrevista do cirurgião cardiovascular Pedro Rocha Paniagua, esta noite, na TV SindMédico.

 

 

O governo Rollemberg age de forma temerária ao apresentar como única solução para a quitação de obrigações – sejam elas de qualquer natureza – outro saque do caixa do Fundo Previdenciário do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF). “Com um novo desfalque, ele armou de vez uma bomba relógio que pode destruir a aposentadoria dos servidores públicos do Distrito Federal em médio e longo prazos”, aponta o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho.

O atual governo parece que ignorar que o Iprev-DF não é uma empresa estatal de propriedade do governo, mas um instituto que administra o dinheiro da aposentadoria de milhares de servidores – não é e nunca foi dinheiro desse ou de qualquer outro governo.

O superávit do Fundo Previdenciário do Distrito Federal (DFPREV), usado como justificava para a apropriação dos R$ 493 milhões, existe porque concentra as contribuições dos servidores que ingressaram no serviço público do DF a partir de janeiro de 2007. Se esses recursos forem gastos agora e com baixa perspectiva de contratação no setor público, as aposentadorias podem ser inviabilizadas em um prazo de 20 anos.

Esse cálculo de superávit já leva em conta uma operação de transferência de imóveis – vedada pela Portaria no 402/08, do Ministério da Previdência Social – cuja avaliação segue pendente e sequer foram incorporados ao patrimônio do Iprev-DF. O governo, no entanto, dá como quitado o saque de R$ 1,2 bilhão realizado em 2015.
A aplicação dos recursos da Previdência dos servidores do DF deve seguir um plano anual elaborado, por força de lei por profissionais qualificados para esse fim e aprovado pelo Conselho Administrativo do Instituto. Não compete à Secretaria de Fazenda a alteração do plano de investimentos.

A elaboração do plano de investimentos dos Regimes Próprios de Previdência é regulada pelo Conselho Monetário Nacional e a aplicação dos recursos deve seguir os limites estabelecidos para os segmentos de renda fixa, imóveis e renda variável. Qualquer investimento deve ser feito de acordo com o interesse do Fundo de Previdência, com garantia das condições de segurança, rentabilidade, solvência, liquidez e transparência. Nada disso foi observado pelo GDF. O caso recente da queda abrupta e vertiginosa das ações da Petrobras é um exemplo do risco na operação proposta pelo governo.

Para o Sindicato dos Médicos, a operação financeira proposta pelo governo do DF, com “devolução” dos recursos em ações do Banco de Brasília, se assemelha às pedaladas fiscais que levaram ao impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff.

Caso seja detectada irregularidade nessa operação, o Distrito Federal perde o Certificado de Regularidade Previdenciária e fica impedido de receber transferências voluntárias de recursos pela União; de celebrar acordos, contratos, convênios ou ajustes, de empréstimos, financiamentos, avais e subvenções em geral de órgãos ou entidades da administração direta e indireta da União; e de obter recursos de empréstimos e financiamentos por instituições financeiras federais.

“A rapidez com que se deu o anúncio do déficit e o encaminhamento de projeto de lei à Câmara Legislativa mostra que não se trata de uma medida emergencial, mas uma medida planejada”, critica Gutemberg Fialho. A medida reafirma a incapacidade administrativa, aumenta a insegurança jurídica e novamente afronta do Poder Legislativo.

Rollemberg deixa de cobrar devedores e quer aumentar imposto de quem paga para fazer caixa. Confira a entrevista do presidente do Sindicato da Carreira de Auditoria Tributária do Distrito Federal, Adalberto Imbrósio, que fala arrecadação de tributos, sonegação e evasão fiscal no DF.

 

A suspensão da alimentação aos servidores dos hospitais públicos do Distrito Federal atendidos pela Sanoli está criando mais uma dificuldade em meio ao caos já enfrentado na Secretaria de Saúde.

Os profissionais da saúde trabalham em esquema de plantão que pode ser de até 12 horas diárias. O intervalo para alimentação é obrigatório, mas curto, para não prejudicar o atendimento aos pacientes. “Com os refeitórios fechados, o que fazer? Os médicos, os enfermeiros, os técnicos e auxiliares vão abandonar o plantão ou vão simplesmente passar fome?”, questiona o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho.

Alguns hospitais sequer têm fornecedor de refeições em condições sanitárias aceitáveis nas imediações. “Além de atrapalhar os esquemas de atendimento, o peso no bolso dos servidores com salários mais baixos cria mais insatisfação. As condições de trabalho já são ruins e passar fome só piora tudo: a saúde, a produtividade, até o humor”, critica. “A Secretaria de Saúde tem, no mínimo, que determinar como devem proceder os servidores nessa situação”, cobra Gutemberg.

O secretário de Saúde do Distrito Federal, Humberto Fonseca, compareceu ao evento “Organizações sociais na saúde pública: a visão dos órgãos de controle e fiscalização”, mas não ficou para ouvir tudo o que os palestrantes convidados tinham a dizer. Assistiu ao primeiro painel, cumpriu a função de garoto propaganda do projeto de entrega da saúde pública do DF às Organizações Sociais (OS) diante das câmeras de TV, apesar de alegar rouquidão, e foi pego em contradição.

A imprensa queria questioná-lo sobre dois fatos que embaçaram o brilho desse plano do governador Rodrigo Rollemberg: as decisões judiciais que mandaram afastar o diretor do Hospital da Criança de Brasília, Renilson Rehen de Souza, por suspeitas de irregularidades na gestão do hospital pelo Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe); e a ordem para a Secretaria de Estado de Saúde (SES-DF) reassumir, em até 60 dias, a responsabilidade pela gestão da UTI do Hospital Regional de Santa Maria. A terceirização dessa unidade é um saldo remanescente da terceirização do HRSM no caso da Real Sociedade Espanhola de Benemerência.

De acordo com a decisão, na ação movida pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-DF) deve designar, servidor público efetivo e idôneo, com experiência em função de gestão hospitalar para assumir a função de Renilson pelo prazo de 90 dias.

“A inércia dos gestores em promover a licitação para a retomada dos serviços fabricou uma situação emergencial, que perdura há cinco anos”, apontou a titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), Marisa Isar ao criticar a continuidade do contrato com a Intensecare, empresa terceirizada que tem repetidamente suspendido a admissão de pacientes e fechado leitos em função de atrasos nos pagamentos pelo governo Rollemberg.

Gestão por OSs prejudica a fiscalização e controle

O caso do Icipe foi comentado pela procuradora-geral do Ministério Púbico de Contas do DF, Cláudia Fernanda de Oliveira, que apontou pendências na análise das contas do Hospital da Criança desde 2014. “O que foi apresentado como prestação de contas pela Secretaria de Saúde era relatório de gestão. Não há discriminação adequada de valores de contratos”, indicou.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Legislativa também está de olho em possíveis irregularidades nos contatos do ICIPE e pediu cópias dos contratos feitos pela Organização Social. Em resposta, no Ofício 016/2016, de 08 de setembro, a direção do Instituto informou que não poderia atender à solicitação por serem cerca de 38 mil páginas de 2.535 contratos que nunca foram digitalizadas desde 2011.

Em sua exposição, mas não em referência direta à questão do Icipe, o delegado de Polícia Federal Eduardo Moreno Izel, do Serviço de Repressão a Desvios de Recursos Públicos da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, apontou que contratos firmados por Organizações Sociais são privados, o que dificulta até mesmo as investigações sobre possíveis irregularidades. “OS é uma empresa privada, não tem como fazer controle social dela”, frisou.

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba Nominando Dinez, por sua vez, apontou os problemas recorrentes na terceirização por meio de OSs: inexistência de demonstração da economicidade da celebração de contratos de gestão; a falta de transparência na gestão de recursos públicos; e a falta de estabelecimento de metas a serem cumpridas.

Figuração dispensável

Lá fora, para a imprensa, o secretário Humberto Fonseca repetia a cantilena de que o governo está conduzindo um processo bem planejado, com um sistema de controle rígido. Lá dentro, a promotora Marisa Isar questionava a falta de clareza nos objetivos do governo. “Primeiro disseram que iam fazer contratos de gestão com OSs na Atenção Primária, agora, se diz que será para a gestão apenas das UPAs. Isso não parece uma demonstração de planejamento”, apontou.

Humberto repetia aos jornalistas o apelo por um voto de confiança ao projeto de entrega da saúde à iniciativa privada. Lá dentro, a procuradora Cláudia Fernanda apresentou números que dão conta de prejuízos financeiros que as experiências com organizações sociais já deram aos cofres públicos do DF: R$ 20 milhões da Fundação Zerbini (2005), R$ 33 milhões da Real Sociedade Espanhola de Benemerência (2009) e R$ 9 milhões da Cruz Vermelha (2010).

O secretário de Saúde falou também que não se consegue contratar intensivistas para fazer funcionar por conta própria as UTIs do Hospital Regional de Santa Maria e que nova contratação de empresa para prestação do serviço será feita para assumir 60% dos leitos. Também, ao elogiar o Hospital da Criança, disse que faltam pediatras no Brasil inteiro, por isso a SES-DF não conseguiria contratar profissionais da especialidade. Confrontado pelo repórter Yuri Achcar, da TV Record, sobre a falta de lógica em dizer que o HCB contratar com facilidade enquanto diz que o governo não contrata porque não existem profissionais no mercado, o secretário teve uma súbita piora em sua rouquidão e logo em seguida encerrou a entrevista.

“Ele não ouviu o que deveria ouvir nem ofereceu esperança de que a gestão da saúde vai começar a funcionar”, lamentou o diretor jurídico do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Antonio José do Santos, que representou a entidade no evento.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, o conselheiro José Leite Saraiva, a defensora pública do Núcleo de Saúde do DF Karen Bezerra e a representante da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) Kênia Amaral estiveram no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), na manhã desta quarta-feira para uma vistoria das condições de exercício da atividade médica e de assistência aos pacientes.

A Secretaria de Estado de Saúde do DF indica a unidade como se fosse referência geral em pediatria. No entanto, não há equipes de todas as especialidades, equipamentos, medicamentos e insumos para que isso se concretize.

A quantidade de médicos e enfermeiros é insuficiente para atender mais de 10 mil pacientes por mês, que é a demanda atual, com pacientes do DF e Entorno.

A caldeira da unidade tem parado repetidamente por falta de manutenção. Em função disso, o serviço de lavanderia das roupas usadas no HMIB está sendo feito no Hospital Regional de Ceilândia, o que tem provocado falta de roupas e lençóis.

As escalas noturnas da emergência são fechadas com apenas três médicos para atender os pacientes internados, inclusive em UTI, e os que chegam. O trabalho se torna mais complicado pela inexistência de serviço de classificação de risco a partir da meia noite, pois não há como estabelecer prioridades na assistência.

Em função da demora no atendimento provocada pela quantidade insuficiente de plantonistas na emergência, os profissionais são frequentemente ameaçados e até agredidos fisicamente por pacientes.

Atualmente, três médicos plantonistas ficam responsáveis por 63 leitos de internação de alta complexidade. Os 21 leitos “oficiais” do pronto-socorro são insuficientes. Por isso, pacientes permanecem nos consultórios até que se consiga removê-los para outra unidade de saúde.

Não existe estrutura para atendimento a pacientes psiquiátricos no HMIB. Ainda assim são encaminhados à unidade, o que coloca outros pacientes e os próprios profissionais em situação de risco.

O HMIB não tem hematologista, tem apenas um nefrologista e um cardiologista, cada um com carga horária semanal de 20 horas. Grande parte dos pacientes internados são cardiopatas.

Há apenas três ventiladores automáticos na emergência, um dos quais está sendo usado por um paciente crônico, internado há três anos. Não raras vezes é necessário fazer ventilação manual.

O Hospital da Criança e o Hospital de Base têm encaminhado pacientes crônicos com câncer para internação no HMIB, mesmo com a deficiência de atendimento especializado, de quantidade de profissionais e falta de espaço para internação.

O hospital está sem os insumos necessários para realizar procedimentos cirúrgicos ginecológicos: não há compressas adequadas, focos cirúrgicos estão quebrados, roupas cirúrgicas e lençóis, entre outros itens tem faltado.

Não estão sendo realizadas cirurgias ginecológicas eletivas na unidade. Por falta de estoques, as famílias têm sido obrigadas a comprar antibióticos, anti-hipertensivos. Também faltam aparelhos de ultrassom, de aferição de pressão e de Cardiotocografia Basal.

Leitos de UTI neonatal foram improvisados em pleno centro obstétrico e a enfermaria de observação com seis leitos está desativada desde o início do atual governo. Essas situações interferem na dinâmica do funcionamento da unidade e prejudicam a assistência. Por conta do déficit de profissionais, chega-se ao ponto de haver apenas um obstetra de plantão.

“É o retrato triste de um hospital que já foi referência e chega aos 50 anos sem ter o que comemorar”, destaca o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF) fez uma interpelação extrajudicial ao presidente do Conselho de Saúde do DF (CSDF), Helvécio Ferreira da Silva, em função de declarações feitas ao Jornal de Brasília na reportagem Buriti recua e OSs trabalharão apenas nas UPAs.

Também em reportagens posteriores do Jornal Metro e do portal Metrópoles, Helvécio, que é representante da gestão no Conselho, teria afirmado que foi feito um acordo entre governo e conselheiros, os quais teriam autorizado, na Resolução 465 (24/10/2016), a entrega da gestão de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a Organizações Sociais (OSs).

Ao receber e assinar a notificação, entregue pessoalmente pelo diretor jurídico do SindMédico-DF, Antonio José dos Santos, o conselheiro negou que haja qualquer intenção em implantar as OSs no DF, pelo menos de sua parte.

Nas palavras de Helvécio “está se fazendo uma confusão enorme entre o que o Conselho aprovou e o que o Governo e a mídia estão dizendo”. “O conselho não aprovou OSs em absoluto. Aprovamos apenas, e sem prejuízo do relatório da nona Conferência de Saúde do DF, atividade complementar, quando identificada e reconhecida. Não tem contrato por atacado”, disse o presidente do Conselho de Saúde.

“Representantes dos usuários e dos trabalhadores da saúde mantêm posição contra as OSs e isso ficou expresso quando se estabeleceu, no parágrafo 2º do artigo 7º da Resolução 465, que prevalece a determinação escrita no relatório final da nona Conferência de Saúde, que rejeita completamente qualquer tipo de terceirização da saúde no DF”, destaca o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

“Como presidente do Conselho de Saúde Helvécio tem a obrigação de transmitir claramente ao público as determinações do colegiado. Se houve algum erro ou alguma confusão ele tem que usar de todos os meios para corrigir, o que não se viu até agora”, aponta Gutemberg. O Sindicato aguarda resposta oficial do presidente do CSDF no prazo de cinco dias. Caso não haja resposta, o conselheiro será questionado em juízo.

Sindicatos integrantes do Movimento Unificado em Defesa do Serviço Público do Distrito Federal realizaram novo protesto, em frente à Câmara Legislativa, na manhã desta quinta-feira (10). Profissionais da saúde e de outras categorias seguem mobilizados contra os desmandos e o descaso do governo Rollemberg, que além do calote, promove uma campanha de difamação dos servidores públicos do DF.

“O governo falta com o respeito e com a verdade na forma que se comporta com o servidor e ao se reportar à população. Deu calote no ano passado, anunciou a criação de grupos de trabalho para analisar as reivindicações não financeiras de algumas categorias que não avançaram em nada e agora descumpre o compromisso de pagar os reajustes”, declarou o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

Na sequência de compromissos descumpridos, o governo não convocou a reunião para apresentação dos números que, em tese, atestam a falta de recursos, apesar o aumento crescente na arrecadação do GDF. “Na verdade, é necessária uma auditoria profissional nas contas e não uma apresentação maquiada, como é praxe do atual governo apresentar”, destaca Gutemberg Fialho.

Após o ato, os manifestantes do Movimento se reuniram aos integrantes do Fórum em Defesa do Serviço Público do DF, na Praça do Buriti, no lançamento da campanha #Rollemberg Mente.

Na manhã desta quinta-feira (10), o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) realizou o seminário Brasília em risco, no auditório da Associação Comercial do DF, para mostrar e comentar dados que revelam a situação preocupante da segurança pública da capital da República.

Durante o evento, o presidente do Sindpol, Rodrigo Franco, questionou a postura da secretária da Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar, ao criticar a realização da ação para divulgar o panorama. “Não entendemos o motivo em querer esconder esses dados. Não adianta dizer que a criminalidade diminuiu se não é o que o brasiliense sente nas ruas ou mesmo dentro de casa”, disse Rodrigo Franco.

“O crime aumenta em razão da falta de políticas de segurança pública e em razão da falta de investimento. Coisa que infelizmente tem levado a sociedade brasiliense a tornar-se refém da criminalidade”, denunciou o presidente do Sinpol.

Franco destacou a falta de uma política efetiva para o setor. Destacou o desvio de 30% do contingente de policiais civis para atividades burocráticas, a atuação de policiais militares descaracterizados, em veículos descaracterizados e a destinação de 300 policiais militares para o Palácio do Buriti. “É um batalhão inteiro que mantém o governador aquartelado”, destacou.

Incompetência e falta de diálogo

Empresários, representantes de organizações da sociedade civil e políticos prestigiaram o evento. A deputada distrital Celina Leão (PPS) foi dirá nas críticas à secretária de Segurança Pública. “Temos uma secretária que não tem o respeito da Polícia Civil e da Polícia Militar porque pouco conhece o assunto no DF”, alfinetou. Sobre a ausência do governador com os sindicatos também foi enfática: “se não tem dinheiro, no mínimo tem que ter respeito”, acusou.

Representando a seccional brasiliense da Ordem dos Advogados do Brasil, o conselheiro André Lopes de Sousa reconheceu que Brasília está em risco e criticou o desvio de função nas polícias. “A polícia, que deveria ser de Estado, passou a ser polícia de governo e isso é preocupante uma polícia de governo se presa a interesses político-partidários”, apontou.

O presidente da Federação dos Conselhos Comunitários de Segurança do DF (Feconseg), José Neife de Alcântara afirmou que o governo tem que rever sua postura na condução das políticas públicas no DF e que é necessário criar um conselho de alto nível para sugerir ações. “O governador tem que ter a humildade de pedir ajuda e assumir que não dá conta”, afirmou.

A exposição dos números mostrou que as taxas de criminalidade caíram em relação a 2014, ano atípico no qual os índices da insegurança dispararam, mas continuam acima da média histórica. A taxa de 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes ao ano ainda deixa o DF em um patamar de comparação com países como Honduras e Nicarágua.

Quando se verifica os índices por região administrativa, a comparação se torna ainda pior. O Paranoá apresenta um índice de 111 assassinatos por 100 mil habitantes ao ano, que é quatro vezes maior que a média nacional e superior à do município baiano de Mata de São João, que tem uma taxa de 102,9 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, segundo dados da Mapa da Violência 2016, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil).

Perdas econômicas e agressões a profissionais de saúde

O presidente do SindMédico-DF destacou que, conforme estudo produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sob encomenda do Banco Mundial, o gasto do Sistema Único de Saúde com a violência chegou (em valores atualizados em 2015) a R$ 5,14 bilhões. Esse mesmo estudo apontou que o custo social da violência, ou seja, aquilo que o País deixou de produzir pela diminuição do período de vida produtiva das vítimas de violência, atingiu a impressionante cifra de R$ 133 bilhões.

Nota técnica produzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacou Gutemberg Fialho, determina uma tendência de maior sobrecarga sobre o sistema público de saúde. O aumento do desemprego desencadeia a piora do estado de saúde mental e físico da população ao mesmo tempo que a diminuição do poder aquisitivo implica no aumento da dependência dos serviços públicos de saúde, que já sofrem com o subfinanciamento, falta de profissionais e infraestrutura.

“A superlotação e a demora no atendimento decorrente disso geram frustração e geram desentendimentos, brigas e atos violentos dentro das unidades de saúde”, indicou Gutemberg. Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha para o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, em outubro de 2015, indicou que 17% dos médicos entrevistados já sofreram pessoalmente violência física, verbal ou psicológica.

”Como na Segurança Pública, é necessário melhor investimento e uma gestão eficiente para atender essa demanda dando as condições adequadas de trabalho, o que inclui garantia da integridade física dos profissionais de saúde”, enfatizou o sindicalista.

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