Paciente incita violência na web e assusta servidores da saúde

Autor das postagens diz que não eram ameaças, apenas um alerta. Mas vai responder à Justiça

Na noite desta segunda-feira (08), o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, registrou boletim de ocorrência por ameaça e incitação ao crime, em função de postagens feitas por paciente internado no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) no Facebook e replicadas pelo Whatsapp. O teor das mensagens é grave e criou insegurança entre os servidores:

“E... Tem maluco armado invadindo escolas... Agora é a vez de invadir unidades de saúde e matar médicos e enfermeiros e técnicos de enfermagem... Precisamos fazer alguma coisa para moralizar o sistema de saúde pública!!!”

“Tem uns quatro médicos e vinte enfermeiros e técnicos que eu conheço e já passaram da hora de levar chumbo.”

“...A população está dando um aviso... depois não reclamem se os pacientes começarem a matar os servidores.”

Passada a situação no HRAN e depois de responder à polícia, que foi até o hospital, o autor das postagens se defende, dizendo que estava exaltado e afirmando ter sido alvo de intimidação e repressão policial. O estrago já estava feito – o conteúdo das postagens rapidamente se espalhou pelas redes sociais durante a noite e assustaram servidores. “Houve quem nos ligasse no sindicato, desesperado, com medo de ir trabalhar. É o tipo de atitude que só piora a situação”, informa o vice-presidente do sindicato, Carlos Fernando.

Em outra postagem, o autor das ameaças incentiva essa insegurança:

Eu estou aqui dentro, fotografando e filmando tudo!!!

Posto interno do pronto socorro do hospital regional da asa norte HRAN... Sem Enfermeiros e técnicos de enfermagem. Sem insumos e medicamentos...!!!

Eu estou aqui dentro porra!!!” (sic)

O presidente do SindMédico-DF vê o ocorrido com preocupação. “Não é culpa dos servidores a falta de insumos e a dificuldade na prestação de assistência aos pacientes – é uma angústia para o profissional não ter como prestar o atendimento que o paciente precisa”, diz Dr. Gutemberg.

“É um verdadeiro pesadelo chegarmos ao ponto de ter de fazer esse boletim de ocorrência, mas vivemos tempos em que pessoas cometem atos insanos por nada, como o massacre de estudantes na escola de Suzano, em São Paulo. Não podemos ficar de braços cruzados esperando que o pior aconteça”, afirma o presidente do SindMédico, que pretende pedir às autoridades a adoção de um programa de segurança para as unidades de saúde do DF em função do crescente número de ocorrências violentas e ameaças.

A insegurança no trabalho é, segundo Dr. Gutemberg, um dos fatores que demonstram a falta de condições de trabalho. E isso tem levado a um verdadeiro êxodo de profissionais do serviço público de saúde. “Servidores com 10, 15 anos de casa estão pedindo demissão e os concursados deixam de assumir ou não passam nem um ano na função”, aponta Dr. Gutemberg.

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