HRP: com poucos profissionais e estrutura precária, Hospital é o retrato do abandono

Em visita do SindMédico-DF à unidade, nesta segunda-feira (19), médicos relataram que não há sequer macas ideais para realizar cirurgias


Um hospital com muitos pacientes, poucos médicos e estrutura física precária. Essa é a situação do Hospital Regional de Planaltina (HRP) hoje: na pediatria, na clínica médica, na ginecologia e na ortopedia. Nenhuma área da unidade foge da regra do abandono no que diz respeito à gestão. Na emergência do local, nesta segunda-feira (19), uma fila de pacientes aguardava atendimento. Enquanto isso, porta adentro, médicos e outros profissionais da Saúde se desdobravam para acolher toda a demanda, enfrentando até assédio moral.
“Em quase todas as áreas do hospital, há apenas um médico para cobrir toda a demanda. A nossa escala absolutamente não dá conta da quantidade de pacientes. Ainda mais após a mudança nos centros de Saúde. Na ginecologia, por exemplo, a maioria das pacientes é pré-natal. Não é emergência”, desabafou um médico do HRP.
Nas salas da unidade, materiais escassos, cadeiras e macas quebradas, móveis sem qualquer restauração e, nas paredes, principalmente da pediatria, infiltrações visíveis a olho nu, inclusive no teto. “As condições aqui são essas que vocês estão vendo. Quando o material é novo, inclusive os móveis, nós que compramos. Fazemos vaquinha e compramos”, contou ainda outro servidor do HRP.
Outra dificuldade no local é a transferência de pacientes, especialmente após a suposta implantação do Instituto Hospital de Base. “A gente não consegue. Não tem vaga. São pacientes greves, que precisam de transferência e, na maioria das vezes, não conseguimos”, relatou um médico.
E enquanto médicos, pacientes e outros servidores sofrem com o descaso dentro do HRP, do lado de fora, uma mãe, com uma criança no colo, faz um apelo ao presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e ao vice, Carlos Fernando: “vocês precisam nos ajudar. Não temos a quem recorrer. A gente não consegue atendimento”, disse.
“Aqui em Planaltina não é diferente de toda a rede: é o retrato do caos. Excesso de pacientes, déficit de médicos, falta de insumos e materiais básicos. Além disso, é evidente ainda a precariedade da estrutura, sem qualquer tipo de manutenção ao longo dos anos”, afirmou Dr. Gutemberg, após a visita. “Continuaremos empenhados em mudar essa realidade, com outros sindicatos itinerantes e denunciando aos órgãos competentes os absurdos que vemos”, complementou Carlos Fernando.

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