Tentativa de reformulação do ISM está, agora, na mira da CLDF

Vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando, participou de manifestação que cobrou explicações da SES-DF sobre as mudanças no ISM


A Comissão de Saúde da Câmara Distrital tentará sustar os efeitos da Ordem de Serviço (OS) n˚ 16, que instituiu um Grupo de Trabalho para levar adiante a “reformulação” do Instituto de Saúde Mental do Distrito Federal (ISM) e ainda barrar novas decisões que envolvem a política de Saúde Mental do DF sem, antes, passar por um amplo debate com a sociedade civil e entidades da área. Uma minuta foi encaminhada nesta segunda-feira (5) ao presidente da CLDF, Joe Valle, que vai, agora, dar andamento ao processo, pedindo, inclusive, explicações ao secretário de Saúde, Humberto Fonseca, sobre as mudanças previstas.
As discussões sobre as alterações no ISM, que seriam - como de costume - impostas pela Secretaria de Saúde começaram no dia seguinte à publicação da Ordem de Serviço, no dia 30 de janeiro. Desde então, o Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF) vem participando dos debates e prestando total apoio aos pacientes e servidores que querem e precisam participar da “reformulação”. Isso porque as mudanças, que prevêm a descentralização dos serviços prestados no Instituto, colocam em risco o atendimento feito no local há mais de 30 anos.
Nesta segunda-feira (5), pacientes, servidores e entidades representativas participaram de uma manifestação em frente à SES-DF para cobrar um debate amplo sobre o assunto. O vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando, esteve no local e participou da ação. Mais cedo, às 09h, ele se reuniu com a Superintendente da região de Saúde Centro-Sul, Moema Liziane Silva Campos, no HMIB, para ouvir o posicionamento da Pasta. No encontro, a representante da Secretaria salientou que as mudanças estão previstas no Plano Diretor de Saúde Mental, aprovado e publicado no ano passado.
Porém, na avaliação do vice-presidente do SindMédico-DF, o debate não aconteceu e, por isso, há a necessidade de rever a reformulação do ISM e as possíveis mudanças na política de Saúde Mental do DF. “A questão aqui é: os principais interessados, pacientes e servidores, não participaram das discussões. Não houve uma ampla divulgação do que se pretende fazer. Estamos lidando com a vida das pessoas”, afirma o médico, que participou ainda de reunião, também nesta segunda, com o presidente da CLDF, Joe Valle, o presidente da Comissão de Saúde da Casa, Wasny de Roure, e com a deputada federal Erika Kokay.
Agora, o principal receio dos pacientes e dos servidores do ISM é que o GDF publique, também sem qualquer tipo de debate, uma portaria alterando o organograma do Instituto de Saúde Mental. “Este é um assunto muito sensível, que precisa de espaço dentro dos Poderes Executivo e Legislativo para discussões. O rolo compressor de Rollemberg e Fonseca precisa ser freado agora para que, mais adiante, os usuários do ISM não fiquem desassistidos”, avalia ainda o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg.
AGENDA DE AÇÕES
O presidente da CLDF, Joe Valle, se comprometeu, com representantes de entidades e os outros presentes na reunião desta segunda (5), a fazer uma espécie de “vistoria” no ISM após o carnaval com a participação de diversos parlamentares. O objetivo é dar voz aos usuários e aos servidores da unidade e, assim, ampliar o diálogo sobre as alterações. “O tempo político está atropelando as coisas e tais medidas precisam da autorização, sim, da sociedade civil”, salienta o deputado.

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