Descaso continua: faltam até vigilantes do HMIB

Próximo de completar 51 anos, o Hospital Materno Infantil de Brasília continua retrato do caos

O Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) completará seus 51 anos de existência, no dia 22 deste mês, em meio ao caos. Também em novembro do ano passado, o presidente do Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF), Dr. Gutemberg, visitou a unidade e constatou uma profunda crise. De lá para cá, no entanto, nada mudou. Continuam faltando médicos, equipamentos, insumos, estrutura e até segurança para que o hospital seja, de fato, referência em pediatria.
Segundo os profissionais do HMIB, agora, até a segurança do hospital está comprometida. Ao todo, seriam necessários cinco vigilantes por plantão. Contudo, nos últimos meses, apenas dois ou no máximo três são escalados. O resultado, claro, são recorrentes ameaças aos médicos e demais profissionais que trabalham no local. “Os pais chegam aqui estressados, pois antes de virem para cá, muitos já passaram por diversas unidades de saúde e não conseguiram atendimento. Então, chegam aqui, diversas vezes, muito irritados”, relata um servidor durante visita do presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e do vice, Carlos Fernando, à unidade de saúde. 
Com as recentes mudanças na Atenção Primária (uma imposição do governo Rollemberg) a situação só piorou. “Virou um caos na pediatria. Essa mexida na estrutura não ajudou em nada. Pelo contrário. Agora, sem poder contar com as Unidades Básicas de Referência (UBSs), sobraram para os pais apenas os hospitais de Sobradinho, Paranoá, Planaltina, que está caindo aos pedaços, e o HMIB. Virou uma bagunça”, relata outro servidor do hospital.
E por conta da bagunça em toda a rede, o HMIB, novamente, ficou sobrecarregado. Há demanda demais para profissionais e estrutura de menos. Um médico do hospital chegou a relatar ao presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, que sequer há cadeiras para o atendimento. Há alguns dias, ele caiu de uma que estava quebrada. “Não tem. Essa estrutura da emergência pediátrica, por exemplo, foi toda improvisada”, afirma, apontando para as salas pequenas, divididas por biombos e sem ar-condicionado.
Muitas crianças que chegam ao hospital acabam ficando internadas nas salas de atendimento por falta de espaço. Além disso, faltam macas para toda a unidade. “As cirurgias eletivas, por exemplo, quase não acontecem porque estamos com a nossa capacidade totalmente limitada”, conta outro servidor.
Nas outras áreas do HMIB, como o centro cirúrgico, a situação não é diferente. E o pior, ressaltam os servidores, é que os problemas já são de conhecimento da Secretaria de Saúde há muito tempo. No entanto, pouco ou nada é feito para reverter o caos na unidade. “Enquanto isso, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem lidam com a pressão diária das ameaças dos pais das crianças aliadas a total falta de estrutura para cuidar dos pacientes”, constata o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg. Agora, salienta, os relatos e constatações feitas in loco serão, novamente, levados ao conhecimento dos órgãos de controle.

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