Hospital do Paranoá: situação é de “medicina de guerra”

SindMédico-DF vai denunciar cenário de caos ao CRM-DF e ao MPDFT e, se for preciso, entrará com novo pedido de interdição ética da unidade.

A lista de problemas no Hospital Regional do Paranoá (HRPa) é extensa e parece só ter aumentado desde que o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, visitou a unidade, há 10 meses. Desde setembro do ano passado, quando foi pedida interdição ética naquela unidade de saúde, a situação, afirmam os servidores, não melhorou. Pelo contrário. Na ortopedia, por exemplo, havia 32 pacientes internados aguardando cirurgia de fraturas: procedimentos emergenciais. E os motivos são os de sempre: falta quase tudo.

Em denúncia enviada ao Conselho Regional de Medicina (CRM-DF), entregue também ao presidente do SindMédico-DF na tarde desta terça-feira (01), os médicos da área de ortopedia do HRPa fazem um apelo: “solicitamos as providências cabíveis a fim de que tenhamos condições mínimas de trabalho e que o paciente tenha sua saúde restaurada dentro dos padrões éticos da medicina”. O documento recebeu o carimbo de toda a equipe, que assegura: “estamos praticando medicina de guerra aqui, fazendo o que dá.”

Ainda na ortopedia, os pacientes, assim como no ano passado, continuam aguardando mais de 30 dias para fazerem as cirurgias. Por conta disso, muitos, também como o SindMédico-DF denunciou em 2016, acabam ficando com seqüelas irreversíveis ou até morrendo. “Imagina você estar em um hospital ficando sequelado por falta de ação do governo? Não tem nem raio-x funcionando. Vamos, novamente, fazer uma denúncia ao CRM-DF e ao MPDFT. Se for preciso, entramos, como já fizemos antes, com outro pedido de interdição ética”, assegura o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

Além de raio-x, faltam ainda na unidade tomógrafo, antibióticos, fios cirúrgicos, luvas e recursos humanos. Há apenas um anestesista para todo hospital e também são necessários mais auxiliares de enfermagem para administração dos remédios prescritos (isso quando os pacientes têm a grande sorte de encontrar algum disponível). No último sábado (29), faltou até água no HRPa. “Estávamos lavando as mãos com soro fisiológico para poder realizar os procedimentos”, afirmou um médico ao presidente do SindMédico-DF.

Na pediatria e na clínica geral do hospital, o mesmo cenário onde, às vezes, é necessário levar papel da própria casa para a unidade, pois não há sequer papel de receituário da Secretaria de Saúde (SES-DF). Além disso, uma das principais reclamações da pediatria é que continuam faltando leitos de UTI. E a remoção de pacientes continua sendo um verdadeiro drama, pois faltam ambulâncias do SAMU suficientes para a demanda. A situação, dizem os servidores, é “desesperadora”.

Trakcare estragado piora cenário

E como se não bastassem todos os impedimentos para que os médicos e demais servidores do HRPa consigam atender a população com ética e dignidade, o sistema de prontuário eletrônico (Trackare), essencial para o controle de atendimentos, não está operando plenamente. Sem ele, é impossível registrar também evoluções e prescrições, o que gera insegurança já que não há prontuário físico na SES-DF.

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