HMIB completa meio século em profunda crise

O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, o conselheiro José Leite Saraiva, a defensora pública do Núcleo de Saúde do DF Karen Bezerra e a representante da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) Kênia Amaral estiveram no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), na manhã desta quarta-feira para uma vistoria das condições de exercício da atividade médica e de assistência aos pacientes.

A Secretaria de Estado de Saúde do DF indica a unidade como se fosse referência geral em pediatria. No entanto, não há equipes de todas as especialidades, equipamentos, medicamentos e insumos para que isso se concretize.

A quantidade de médicos e enfermeiros é insuficiente para atender mais de 10 mil pacientes por mês, que é a demanda atual, com pacientes do DF e Entorno.

A caldeira da unidade tem parado repetidamente por falta de manutenção. Em função disso, o serviço de lavanderia das roupas usadas no HMIB está sendo feito no Hospital Regional de Ceilândia, o que tem provocado falta de roupas e lençóis.

As escalas noturnas da emergência são fechadas com apenas três médicos para atender os pacientes internados, inclusive em UTI, e os que chegam. O trabalho se torna mais complicado pela inexistência de serviço de classificação de risco a partir da meia noite, pois não há como estabelecer prioridades na assistência.

Em função da demora no atendimento provocada pela quantidade insuficiente de plantonistas na emergência, os profissionais são frequentemente ameaçados e até agredidos fisicamente por pacientes.

Atualmente, três médicos plantonistas ficam responsáveis por 63 leitos de internação de alta complexidade. Os 21 leitos “oficiais” do pronto-socorro são insuficientes. Por isso, pacientes permanecem nos consultórios até que se consiga removê-los para outra unidade de saúde.

Não existe estrutura para atendimento a pacientes psiquiátricos no HMIB. Ainda assim são encaminhados à unidade, o que coloca outros pacientes e os próprios profissionais em situação de risco.

O HMIB não tem hematologista, tem apenas um nefrologista e um cardiologista, cada um com carga horária semanal de 20 horas. Grande parte dos pacientes internados são cardiopatas.

Há apenas três ventiladores automáticos na emergência, um dos quais está sendo usado por um paciente crônico, internado há três anos. Não raras vezes é necessário fazer ventilação manual.

O Hospital da Criança e o Hospital de Base têm encaminhado pacientes crônicos com câncer para internação no HMIB, mesmo com a deficiência de atendimento especializado, de quantidade de profissionais e falta de espaço para internação.

O hospital está sem os insumos necessários para realizar procedimentos cirúrgicos ginecológicos: não há compressas adequadas, focos cirúrgicos estão quebrados, roupas cirúrgicas e lençóis, entre outros itens tem faltado.

Não estão sendo realizadas cirurgias ginecológicas eletivas na unidade. Por falta de estoques, as famílias têm sido obrigadas a comprar antibióticos, anti-hipertensivos. Também faltam aparelhos de ultrassom, de aferição de pressão e de Cardiotocografia Basal.

Leitos de UTI neonatal foram improvisados em pleno centro obstétrico e a enfermaria de observação com seis leitos está desativada desde o início do atual governo. Essas situações interferem na dinâmica do funcionamento da unidade e prejudicam a assistência. Por conta do déficit de profissionais, chega-se ao ponto de haver apenas um obstetra de plantão.

“É o retrato triste de um hospital que já foi referência e chega aos 50 anos sem ter o que comemorar”, destaca o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

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